Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Entrevista ao Dr. Nuno Chaves, Presidente da Junta de Freguesia de Arcozelo

    Como escreveu Dr. José Guilherme Aguiar, antigo Presidente da Junta de Freguesia de Arcozelo:

“Arcozelo é uma vila em pleno desenvolvimento, com evidentes sinais de modernidade, harmoniosamente convivendo com a ruralidade que marcou a região por tanto tempo.”

 Entrevista ao Dr. Nuno Chaves, Presidente da Junta da Freguesia de Arcozelo

12 de Novembro de 2007 - 14 horas e 30 minutos

    

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia

Dr. Nuno Chaves

Entrevistador: Deveríamos começar por fazer uma breve apresentação da vila. Gostaríamos que fizesse um breve retrato da vila que a caracterizasse, em particular, quanto à sua localização, as acessibilidades, a rede de saneamento, a recolha e tratamento dos lixos e os espaços verdes e a sua manutenção.

Dr.Nuno Chaves: Bem… é uma pergunta muito vasta. Quanto à localização, estamos privilegiados em termos de posição geográfica porque somos uma freguesia que pertence à orla marítima de Vila Nova de Gaia; temos características de uma freguesia mista, isto é, uma freguesia que ainda tem uns pequenos pormenores de ruralidade, mas fundamentalmente começa cada vez mais a acentuar-se uma vertente urbana, e daí nós termos um crescimento populacional que nos leva neste momento a termos cerca de 14-15 mil habitantes. A questão da rede de saneamento, que como sabe nos últimos 10 anos houve um investimento significativo, e neste momento, temos uma taxa de adesão de cerca de 90 e tal por cento. Em termos de recolha… digamos assim, em termos de salubridade pública, uma das situações cada vez mais recorrentes é precisamente a colocação de ecopontos. A recolha do lixo, como sabe, é feita quase diariamente, só não é feita ao Domingo, e cobre a freguesia toda; também é feita uma limpeza urbana através dos varredores da SUMA; a Junta faz também ela própria essa limpeza urbana em muitos sectores; cada vez mais, a Junta recolhe resíduos vegetais que as pessoas …por exemplo, pessoas que tenham jardins, a Junta recolhe esses resíduos vegetais… Isto para dizer que há uma preocupação cada vez maior desta população como já disse, mais urbana com mais qualidade de vida relativamente ao sector ambiental.

    Depois, quanto à caracterização propriamente dita da freguesia, é uma freguesia que …costuma dizer-se que temos duas características distintas: temos uma zona da 109 para baixo que é marcada pelo facto de ser uma zona litoral que abarca as praias de Miramar, Aguda, Granja e, também Mira, são zonas onde existem predominantemente moradias unifamiliares. No interior da freguesia existem já espaços verdes mais relevantes onde existe aí, uma preocupação da parte da Junta e também da Câmara de preservação de espaços verdes: nós, neste momento, temos dois corredores verdes que considerámos importantes para manter: um deles é a chamada Ribeira de Espírito do Santo que vai desde o centro da freguesia de Arcozelo até Miramar; e depois temos também, um chamado circuito de manutenção que é uma zona verde que também está, digamos assim, na nossa preocupação de se manter este pulmão verde. A nível de equipamentos, ... Vou citar 4 ou 5 que são mais relevantes: nós fizemos o complexo desportivo (campo, balneários e também o futuro pavilhão); fizemos também um centro de saúde, que é um dos melhores centros de saúde de Gaia; as vias de acesso que foram e são recuperadas na freguesia; houve a construção/conclusão da ELA; o centro de reabilitação das Dunas; a passagem desnivelada; o Parque da Aguda que foi reabilitado, a Piscina da Granja que também foi reabilitada... houve um investimento muito grande em equipamentos. Portanto, neste momento temos a preocupação centrada, segundo a minha perspectiva, em três vertentes: a primeira será criar infra-estruturas vocacionadas quer para as populações mais jovens quer para as mais idosas. A nível de equipamentos de qualidade, digamos assim, ambiental, neste momento nós temos a preocupação de alargamento das Ribeiras do Espírito Santo até cá em cima (a reabilitação foi feita até à 109), e queremos trazê-la até ao coração da freguesia e aí fazer a conjugação com o circuito de manutenção que está, presentemente, num estado de abandono total. O projecto de reabilitação do circuito é um projecto de grande envergadura que permitirá que aquilo se transforme numa espécie de Parque da Cidade de Arcozelo, isto é, cria uma componente de lazer e ao mesmo tempo uma componente desportiva, e além disso nós adquirimos pinhais à volta para criar um espaço verde portanto um pulmão verde que está preservado. Depois, nós temos a preocupação com aquilo que é a actividade autárquica permanente que é a resposta às pequenas solicitações das pessoas Portanto são essas três vertentes que são a preocupação central na minha política autárquica até ao fim do mandato que faltam dois anos.

E.: Passando agora a um outro aspecto importante na nossa vila que é o turismo. Quais são as principais potencialidades turísticas de Arcozelo?

Dr. N.C.: Também no turismo é uma freguesia muito sui generis, como se costuma dizer, porque temos dois tipos de turismo, por um lado temos um turismo de veraneio. Como sabem, todas as praias de Arcozelo tiveram bandeira azul e, para além disso, duas delas, Miramar e Aguda, foram distinguidas a nível de acessibilidade, isto é, foram praias que permitiram que pessoas com deficiência tivessem a possibilidade da prática balnear com o apoio dos bombeiros. Paralelamente a isto também tivemos e temos equipamentos desportivos designadamente: campos de vólei de praia, andebol, futebol de praia... que motivam cada vez mais pessoas à prática de desporto; nós tivemos um conjunto de actividades junto da população para animar a praia da Aguda na época de Verão e, portanto isto aumentou exponencialmente o número de visitantes. Neste momento o grande calcanhar de Aquiles é a reabilitação do equipamento hoteleiro, porque de resto em termos de atractivos acho que já temos as condições todas, por exemplo a ELA atingiu recentemente um número de visitantes na ordem das dezenas de milhares, quer dizer que há ali, efectivamente, vida própria o que demonstra que o número de visitantes nesta zona tem evoluído significativamente.

    Por outro lado, nós temos um outro fenómeno a nível do turismo, que é o chamado turismo religioso. Como sabem a seguir a Fátima, Arcozelo é o local de peregrinação mais visitado de Portugal por força do culto a Dona Maria Adelaide ou StaMaria Adelaide como as pessoas a chamam.

 

E.: Com uma orla costeira tão interessante, que inclui a praia da Aguda, Miramar e Granja, como a pensa dinamizar e valorizar, para além das iniciativas já levadas a efeito nos anos anteriores e já referidas anteriormente? Nós estávamos a pensar por exemplo, como é possível não haver um posto turístico para estruturar o apoio às praias visto que, no nosso ponto de vista, é um aspecto fundamental e indispensável. Há alguma coisa a ser feita nesse sentido?

Dr. N.C.: É uma questão bastante interessante porque uma das preocupações que eu tive em relação ao turismo foi precisamente essa. Eu nunca compreendi porque é que não se apostava mais na divulgação turística desta zona, isto é, a existência de um posto de turismo... É uma das coisas que eu acho que é uma lacuna para o turismo, e estou de acordo convosco acho que devia haver um posto de turismo que prestasse informações e pudesse ajudar as pessoas que nos visitam e não tenho a mínima dúvida quanto a isso.

E.: Com certeza sabe que a subida das águas do mar é um fenómeno irreversível e que a construção próxima do mesmo é um investimento de curta duração. Não acha melhor a Junta repensar devidamente em todas as intervenções a fazer na orla costeira?

Dr. N.C.: Nós, neste momento, em termos de intervenção na orla costeira não podemos fazer grandes planos nessa área. Como sabem, nós aqui em Arcozelo estamos abrangidos pelo POOC (Plano de Ordenamento da Orla Costeira) e esse plano de ordenamento é extraordinariamente restritivo na zona da Aguda que é a zona a que nos estamos a referenciar, onde existe o chamado núcleo antigo da Aguda onde praticamente pouco ou nada se pode construir. Por outro lado, as construções que estão a ser feitas nessa zona, são construções que não estão em perigo, pois com o quebra-mar que foi feito deixou de haver esse problema. Eu penso que aqui em Arcozelo não há um perigo eminente, é óbvio que no futuro é preocupante e é, por isso, que é importante alertar para essas questões todas. Como sabem, o quebra-mar fez-nos uma alteração da morfologia da zona da Aguda onde o areal aumentou exponencialmente. Agora existe uma outra realidade que o quebra-mar criou e nós temos de a resolver, apesar do INAG (Instituto da Água) não ter feito nada ainda, que é o assoreamento da zona onde os pescadores têm os barcos.

    Se existir alguma construção nunca será uma construção pura, será, por exemplo, um alargamento, …por exemplo, um equipamento de mergulho agregado à ELA.

E.: Que características teria esse equipamento?

Dr. N.C.: Era uma espécie de tanque no qual se dedicariam ao estudo e à prática de mergulho desportivo, falou-se também num SPA e, também num projecto que foi visto na Galiza. Voltando ao assunto anterior, por parte da Junta não há a hipótese de construirmos em nenhuma daquelas zonas porque são zonas protegidas, a zona dunar está quase toda protegida, os próprios bares estão protegidos...Não há a mínima hipótese de a Junta construir lá nada. Todas essas zonas são protegidas por entidades responsáveis e ainda quer pelo POOC, quer pelo PDM (Plano Director Municipal).

E.: Uma das lacunas que detectámos na freguesia quando procurámos informações foi a inexistência de um sítio na Internet. Quando é que a Junta disponibilizará aos arcozelenses e a todos os que procuram dados sobre a vila, o site oficial da autarquia na Internet?

Dr. N.C.: Até ao fim do ano. É assim, neste momento sabemos dessa lacuna e queremos aproveitar o facto de no fim deste ano a Junta comemorar 10 anos e termos 3 ou 4 iniciativas de efeito público ou mediático: uma delas é o site, outra é a revista com a actividade autárquica, outra é a inauguração do salão nobre que vai ser disponibilizado a todas as pessoas da freguesia para vários eventos.

Muitas vezes nós estabelecemos determinados timings e determinados custos para um determinado acontecimento, por exemplo, não sei se sabem nós fizemos um livro sobre a história da freguesia de Arcozelo e esse livro custou-nos 4000 contos, não contávamos gastar esse valor mas gastámos. Efectivamente até ao fim do ano vamos colmatar a falha da inexistência do sítio.

E.: Nós temos andado a falar com várias pessoas de vários sectores e como lhe disse se nós vamos pensar em algo que torne mais criativa a nossa vila não podemos ser ridículos ao ponto de estruturar um plano sem ver antes o que está na forja, ou seja, o que está para ser feito. Ora bem, há aqui realmente uns pontos que nos confundem um bocado. Há aqui alguns pontos que gostávamos que nos esclarecesse e com certeza que sabe. Há ainda aquele projecto de ligar a Canelas, construção da VL5, não há? Qual o trajecto?

Dr. N.C.: O trajecto é preocupante do ponto de vista ambiental, uma vez que vai nascer na IC1 e vai passar pela Ribeira do Espírito Santo, vai por trás do cemitério de Arcozelo e vai descer aqui...fazendo um túnel por esta rua e desce pelo Circuito de Manutenção.

E.: Soubemos que o campo de Golfe vai ser alargado, vai ser um Campo de golfe a nível internacional, esse projecto ainda continua?

Dr. N.C.: Isso está previsto em termos de plano urbanístico. Foi um plano dessa zona no sentido de o campo de golfe ser alargado para cima da linha do comboio e teria de ocupar os terrenos particulares.

E.:  A Junta não está a pensar certamente na construção de mais vias estruturantes, pois não? A esse nível é redundante porque há várias vias a chegar ao mesmo sítio e em algumas delas passam poucos carros.

Dr. N.C.: Neste momento os nossos principais eixos estão reabilitados. Agora há um conjunto de ruas adjacentes que têm de ser reabilitadas, eu penso que o essencial é isso. Vias estruturantes de raiz, realmente, já não faz sentido.

E.:  Imagine que estávamos no campo da utopia completa. O que poderia ser feito aqui, para tornar Arcozelo num pólo mais chamativo, no sentido de chamar mais pessoas para aqui.

Dr. N.C.: Eu sou um pouco modesto quanto a isso, mas o que eu gostava de fazer, e Arcozelo já está num patamar superior ao de outras freguesias, eu gostava de ter era a parte central da freguesia toda remodelada, aqui o largo Maria da Fonte recuperado, fazer a tal ligação da Ribeira do Espírito de Santo, fazer a reabilitação do Parque de Manutenção e transformá-lo numa espécie de Parque da Vila e a construção do Centro Social, portanto reprojectar toda esta zona do centro cívico de Arcozelo criando também espaços verdes...tudo isto é o mais importante. Depois é claro, se eu pudesse asfaltar todas as ruas que estão em mau estado principalmente, as ruas mais importantes da freguesia...

E.: E diga-nos uma coisa, como é que sensibiliza as pessoas para o ambiente e para a cultura aqui em Arcozelo?

Dr. N.C.: É extremamente difícil... há determinado tipo de cultura e até questões do ambiente que é extremamente difícil convencer as pessoas a mudarem a sua atitude. Eu penso também que, aqui em Arcozelo não existe o bairrismo que existe ainda em certas zonas, as pessoas não gostam de manter as suas tradições acesas. Quanto ao ambiente passa-se exactamente a mesma coisa, por exemplo na zona onde eu resido (Miramar) há pessoas que penduram o saco de lixo na árvore em frente da sua casa em vez de o colocarem dentro de uns caixotes de lixo. Aqui em Arcozelo há uma preocupação com o ambiente e isso vê-se através da colocação de ecopontos; dentro da Junta também existe essa preocupação em fazer com que os papéis sejam reciclados e, através da colocação dos avisos para não gastar água e luz. Enfim, quero chegar ao fim deste percurso com o certificado em termos de qualidade, o que também é um desafio.

publicado por Coincya às 16:43
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Arcozelo já está no Mapa das Cidades Criativas!

Arcozelo no Mapa das Cidades Criativas

   

    Para verem Arcozelo no Mapa do concurso Cidades Criativas, basta clicar aqui.

nota: para visualizar o nosso mapa é necessário ter instalado o programa Google Earth.

publicado por Coincya às 16:08
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Entrevista ao Dr. Jaime Prata, da ELA

 Entrevista ao Dr. Jaime Prata, da Estação Litoral da Aguda (ELA)

08/11/2007 - 10 horas


Entrevistador: Para iniciar, gostaríamos de tomar conhecimento do processo de criação da ELA e dos objectivos subjacentes ao seu aparecimento. O que é a ELA?

Dr. Jaime Prata: A ELA é um equipamento, sobretudo de educação ambiental, que tenta congregar três facetas: uma faceta lúdica, virada para o grande público, uma faceta mais académica, porque tem colaboração com a Universidade do Porto e uma faceta de educação ambiental que é virada para toda a sociedade, ou seja, para o público estudantil e não só.

 

    

 

Entrevista ao Dr. Jaime Prata na Estação Litoral da Aguda

 

E.: Quando e como foi criada?

Dr. J.P.: (…) abriu ao público a 1 de Julho de 1999 e se contarem doze anos para trás, foi mais ou menos quando nasceu a ideia. O mentor do projecto é o actual director (Dr. Mike Weber), que é alemão. Por razões circunstanciais, quando veio da Alemanha trabalhar aqui no Porto, primeiro fazendo investigação e depois no Instituto Abel Salazar, (…) veio morar para aqui (…) teve a ideia de fazer aqui qualquer coisa ligada ao mar e ligada à comunidade piscatória, (…) onde os pescadores pudessem mostrar um bocado a actividade deles aos alunos das cadeiras que ele leccionava.

 

E.: Nós notamos que a ELA não é muito conhecida nas redondezas e gostaríamos de saber que medidas estão a ser tomadas para aumentar a popularidade desta?

Dr. J.P.: Acho que é uma ideia errada, porque aquilo que nós constatamos é que os cerca de duzentos e cinquenta mil visitantes, que a ELA já teve, corresponde a mais do que a área metropolitana do Porto e corresponde a bastante mais do que toda a população estudantil dessa mesma área. (…) este é um projecto regional que, mesmo assim, tem visitantes de Lisboa, do Algarve, do Alentejo e inclusivamente estrangeiros.

 

E.: Quais as maiores dificuldades com que se deparam no funcionamento da Estação?

Dr. J.P.: Dinheiro… Nós somos só oito pessoas a trabalhar (…) Deveríamos ter mais pessoas de formação superior, porque nós estamos a falar de oito pessoas, e dessas oito pessoas, três têm formação superior os outros são funcionários. Nós recebemos um subsídio da câmara que é exactamente igual ao que era em 1999. (…) os projectos (…) Em que é que isso resulta? Isso resulta em equipamentos, os projectos da Ciência Viva, por exemplo, resultam em compra de equipamentos.

 

E.: Outro dos nossos objectivos é diagnosticar o que está a ser feito pela Ela ao nível da preservação ambiental. E para isso gostaríamos de saber quais são os principais enfoques da ELA a este nível.

Dr. J. P.: Ao nível da preservação ambiental… há que distinguir o que é a preservação ambiental do que é educação e do que é defesa. É natural que vocês não tenham esses conceitos muito bem definidos mas, por preservação ambiental, entende-se uma acção directa sobre as coisas, que não é o objectivo da ELA. Esse é o objectivo de instâncias institucionais como o INAG, esses podem fazer preservação ambiental, ou seja, pode haver uma determinada situação que precise de ser preservada e eles agem, porque têm influência directa na legislação e podem legislar no sentido de preservar. Por exemplo se o governo quiser proibir a pesca de uma determinada espécie, ou a destruição de um determinado ecossistema, pode fazê-lo… a ELA não pode. Portanto fazer preservação é um bocado complicado por causa da própria definição do que é preservar. Aquilo que nós podemos fazer é sensibilização e educação ambiental, que depois como objectivo e como retorno podem ter a preservação, não aquela preservação legal, mas uma preservação que vem por causa da mudança de atitudes das pessoas. Ao fim e ao cabo é isso que nós pretendemos fazer, é provocar mudança de atitudes nas pessoas. E que é que nós fazemos? Para além de termos vários programas educativos para todas as faixas etárias, desde a pré-primária até à universidade e depois para o grande público, temos também algumas campanhas, nomeadamente duas: uma campanha para a preservação da Sabellaria e outra sobre as tartarugas marinhas, (…)

E.: A construção do quebra-mar destacado prejudicou de alguma forma a fauna e a flora marinhas? E consequentemente o trabalho da ELA?

Dr. J.P.: Isso é uma questão muito complicada… querem mesmo saber? Mau era se as espécies fossem prejudicadas por uma coisa que geograficamente tem uma expressão muito pequena. Agora, uma população de uma espécie, que vivia exactamente ali, foi prejudicada? Claro que foi, ficou soterrada. Mas qual é a dimensão do problema se falarmos em relação à costa nacional? É uma dimensão muito pequena, ou quase inexistente, até porque nós temos sempre que pensar em que escala é que estamos a falar e o que é que consideramos um problema ou não. É muito mais importante ver a “floresta” e não ver a “árvore” e aqui é assim, numa determinada área houve valores naturais que foram destruídos, obviamente, todos os animais que viviam nas rochas, em toda esta zona que está coberta de areia, ficaram todos soterrados, morreram todos. Agora nós temos é que pensar: É importante em termos nacionais? É importante em termos regionais? É uma perda muito grave para as espécies, porque até são espécies raras? Ou até são espécies que vivem do Algarve até ao Norte e não é significativa a perda? Tem que se pensar nas coisas desta forma e não daquela forma sentimental. E, depois, também é preciso pensar nos objectivos, ou seja: Será que os objectivos justificaram os meios e justificaram o que se passou entretanto? E as questões económicas: Será que os objectivos justificaram o dinheiro que se gastou? São outras questões, que são muito complicadas. Portanto, não se pode dizer assim de ânimo leve se foi bom ou mau, até porque depois cada grupo de pessoas tem a sua opinião, por exemplo, os pescadores têm uma opinião, as pessoas da Aguda têm outra, as pessoas da Granja, outra, uma pessoa que viva em Viseu tem outra opinião, porque também pagou o quebra-mar com os impostos e não lhe interessa absolutamente nada. Essas são todas questões que deviam ser ponderadas por quem tem a responsabilidade de tomar as decisões, que é o poder político.

 

E.: Em relação ao futuro da ELA quais são os principais projectos que tem em mente?

Dr. J.P.: É assim, não se pode ter projectos sem dinheiro. (…) era bom que se conseguisse manter aquilo que se faz, hoje em dia, para o futuro. (…) Aqui em Portugal, um país relativamente pequeno, já temos um Oceanário, um Fluviário, a Estação litoral da Aguda, o Aquamuseu do rio Minho, o Aquário Vasco da Gama, o Zoomarine do Algarve, etc. (…) é evidente que se devia crescer no espaço para se poder fazer as coisas um bocado melhores. Por exemplo, o museu precisava do dobro do espaço porque nós temos a cave cheia de peças do museu, temos a sala de aulas cheia de colecções de coisas que nos foram oferecidas e não temos sítio onde as pôr. Temos uma sala de aulas que já começa a ser difícil de gerir porque tem actividades a mais. Precisávamos, por exemplo, de um auditório onde se pudessem fazer seminários (…) Isto só se conseguia com um outro edifício, ou um acréscimo a este edifício (…) também já se pensou num outro projecto que era fazer centro de reabilitação de animais, sobretudo, marinhos, porque estão sempre, aqui, a entregar gaivotas feridas, gansos patolas, etc. Quando foi aquela questão do Prestige recebemos aqui aves, tartarugas também cada vez aparecem mais.

 

E.: E em que aspecto é que a criação de uma escola de mergulho era importante?

Dr. J.P.: Também existe essa ideia de fazer um tanque de mergulho grande que servisse dois objectivos, um objectivo de mergulho lúdico, em que as escolas de mergulho podiam fazer cursos num ambiente mais natural do que numa piscina, (…) e isto acabava por ser uma fonte de receita para a instituição.

 

E.: Sem mais nada a perguntar, resta-nos agradecer imenso a sua colaboração. 

publicado por Coincya às 15:02
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Aguda - Um Lugar muito Especial

publicado por Coincya às 23:31
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Projecto para alargamento da ELA

    Aquando da nossa visita à Estação Litoral da Aguda, tivemos conhecimento da existência de um projecto para o alargamento das instalações da instituição e um aumento da variedade de actividades por esta oferecida.

 

Terreno situado nas traseiras da ELA onde se pretende fazer o alargamento

 

    O projecto, da autoria do arquitecto Mário Mendes, contempla a construção de novas infra-estruturas, nomeadamente, um Centro de Recuperação de Animais Marinhos, uma piscina de mergulho com 20 metros de profundidade e um auditório.

 

Projecto do arquitecto Mário Mendes para a ampliação da ELA

 

    No entanto, existem entraves à realização deste projecto e o principal destes entraves é a questão monetária. Na entrevista realizada ao Dr. Jaime Prata, biólogo da ELA, este referiu que “hoje em dia não é possível nem viável fazer uma instalação desse género, mesmo modesta, por menos de cinco milhões de euros”. Assim, este é um projecto para o qual será necessário arranjar fontes de financiamento.
publicado por Coincya às 14:05
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Visita à Estação Litoral da Aguda (ELA)

    No dia 8 de Novembro entrevistámos o Dr.Jaime Prata, da Estação Litoral da Aguda (ELA). Nesta deslocação à ELA seguiu-se uma visita pelos três sectores do edifício: Museu das Pescas, Aquário Público e o Departamento de Educação e Investigação para a ecologia marinha, pescas e aquacultura.

 

Museu das Pescas                                 Aquário Público

    Os 15 aquários, com capacidades entre 1200 até 6700 litros são habitados por mais de 1000 indivíduos de cerca de 60 espécies que representam a vida aquática dos biótopos característicos da Aguda.

 

 

Com o intuito de preservar a memória do núcleo piscatório da Aguda e valorizar o esforço que o seu povo tem feito para se manter neste local, a ELA exibe o Museu das Pescas, onde se dá principal relevo aos apetrechos e às artes tradicionais da pesca artesanal, às memórias da faina e do quotidiano do seu povo, destacando-se uma miniatura da frota da praia da Aguda do fim dos anos 80. As peças exibidas ganham ainda mais significado quando comparadas com equipamentos e utensílios da pesca artesanal de outros continentes (Europa, Ásia, África, América e Austrália) e de várias épocas, peças essas reunidas ao longo dos últimos 30 anos, pelo autor do projecto «ELA», Professor Dr. Mike Weber.
publicado por Coincya às 16:28
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

A Praia da Aguda

    A praia da Aguda, na Freguesia de Arcozelo do concelho de Vila Nova de Gaia, localiza-se a cerca de 10 km a sul da embocadura do Rio Douro. Conjuntamente com as praias de Lavadores, Madalena, Valadares, Francelos, Miramar, Granja e Espinho, constitui um cordão balnear com uma certa identidade fisiográfica e paisagística, que se desenvolveu a partir da via férrea e da antiga estrada Porto-Espinho.

 
Praia da Aguda
  
    A praia da Aguda é conhecida pela sua pesca "artesanal" (pesca local), baseada em métodos tradicionais, transmitidos de geração em geração. Por volta de 1870, pescadores da Afurada e de Espinho instalaram-se aqui para construir os primeiros abrigos em madeira e para pescar sobretudo caranguejos ("pilado") que vendiam aos lavradores locais como adubo.  Os campos tornavam-se mais produtivos e a pesca foi-se desenvolvendo com a crescente procura. Actualmente, utilizam-se ainda as técnicas e equipamentos artesanais.

 

 

Barcos de pescadores                            Redes de pesca

 

    Um dos rochedos ponteagudos, a "aguda", deu o nome ao local. A abundância de recursos naturais do mar constituiu o atractivo. 

    Nesta praia, na freguesia de Arcozelo, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia realizou um projecto inédito para o norte de Portugal, a Estação Litoral da Aguda "ELA", gerida pela fundação ELA.        

              

Estação Litoral da Aguda (ELA)
publicado por Coincya às 14:17
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

Desdobrável para Sugestões

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Desdobrável para sugestões

    Para ver o desdobrável para sugestões que foi distribuído à população de Arcozelo, clicar em cima de cada imagem.

 

publicado por Coincya às 16:11
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Clique na imagem para fazer o download de um excerto do livro, que pode ser adquirido na Junta de Freguesia de Arcozelo.

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Biblioteca Municipal de Gaia.

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