Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Entrevista ao Dr. Nuno Chaves, Presidente da Junta de Freguesia de Arcozelo

    Como escreveu Dr. José Guilherme Aguiar, antigo Presidente da Junta de Freguesia de Arcozelo:

“Arcozelo é uma vila em pleno desenvolvimento, com evidentes sinais de modernidade, harmoniosamente convivendo com a ruralidade que marcou a região por tanto tempo.”

 Entrevista ao Dr. Nuno Chaves, Presidente da Junta da Freguesia de Arcozelo

12 de Novembro de 2007 - 14 horas e 30 minutos

    

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia

Dr. Nuno Chaves

Entrevistador: Deveríamos começar por fazer uma breve apresentação da vila. Gostaríamos que fizesse um breve retrato da vila que a caracterizasse, em particular, quanto à sua localização, as acessibilidades, a rede de saneamento, a recolha e tratamento dos lixos e os espaços verdes e a sua manutenção.

Dr.Nuno Chaves: Bem… é uma pergunta muito vasta. Quanto à localização, estamos privilegiados em termos de posição geográfica porque somos uma freguesia que pertence à orla marítima de Vila Nova de Gaia; temos características de uma freguesia mista, isto é, uma freguesia que ainda tem uns pequenos pormenores de ruralidade, mas fundamentalmente começa cada vez mais a acentuar-se uma vertente urbana, e daí nós termos um crescimento populacional que nos leva neste momento a termos cerca de 14-15 mil habitantes. A questão da rede de saneamento, que como sabe nos últimos 10 anos houve um investimento significativo, e neste momento, temos uma taxa de adesão de cerca de 90 e tal por cento. Em termos de recolha… digamos assim, em termos de salubridade pública, uma das situações cada vez mais recorrentes é precisamente a colocação de ecopontos. A recolha do lixo, como sabe, é feita quase diariamente, só não é feita ao Domingo, e cobre a freguesia toda; também é feita uma limpeza urbana através dos varredores da SUMA; a Junta faz também ela própria essa limpeza urbana em muitos sectores; cada vez mais, a Junta recolhe resíduos vegetais que as pessoas …por exemplo, pessoas que tenham jardins, a Junta recolhe esses resíduos vegetais… Isto para dizer que há uma preocupação cada vez maior desta população como já disse, mais urbana com mais qualidade de vida relativamente ao sector ambiental.

    Depois, quanto à caracterização propriamente dita da freguesia, é uma freguesia que …costuma dizer-se que temos duas características distintas: temos uma zona da 109 para baixo que é marcada pelo facto de ser uma zona litoral que abarca as praias de Miramar, Aguda, Granja e, também Mira, são zonas onde existem predominantemente moradias unifamiliares. No interior da freguesia existem já espaços verdes mais relevantes onde existe aí, uma preocupação da parte da Junta e também da Câmara de preservação de espaços verdes: nós, neste momento, temos dois corredores verdes que considerámos importantes para manter: um deles é a chamada Ribeira de Espírito do Santo que vai desde o centro da freguesia de Arcozelo até Miramar; e depois temos também, um chamado circuito de manutenção que é uma zona verde que também está, digamos assim, na nossa preocupação de se manter este pulmão verde. A nível de equipamentos, ... Vou citar 4 ou 5 que são mais relevantes: nós fizemos o complexo desportivo (campo, balneários e também o futuro pavilhão); fizemos também um centro de saúde, que é um dos melhores centros de saúde de Gaia; as vias de acesso que foram e são recuperadas na freguesia; houve a construção/conclusão da ELA; o centro de reabilitação das Dunas; a passagem desnivelada; o Parque da Aguda que foi reabilitado, a Piscina da Granja que também foi reabilitada... houve um investimento muito grande em equipamentos. Portanto, neste momento temos a preocupação centrada, segundo a minha perspectiva, em três vertentes: a primeira será criar infra-estruturas vocacionadas quer para as populações mais jovens quer para as mais idosas. A nível de equipamentos de qualidade, digamos assim, ambiental, neste momento nós temos a preocupação de alargamento das Ribeiras do Espírito Santo até cá em cima (a reabilitação foi feita até à 109), e queremos trazê-la até ao coração da freguesia e aí fazer a conjugação com o circuito de manutenção que está, presentemente, num estado de abandono total. O projecto de reabilitação do circuito é um projecto de grande envergadura que permitirá que aquilo se transforme numa espécie de Parque da Cidade de Arcozelo, isto é, cria uma componente de lazer e ao mesmo tempo uma componente desportiva, e além disso nós adquirimos pinhais à volta para criar um espaço verde portanto um pulmão verde que está preservado. Depois, nós temos a preocupação com aquilo que é a actividade autárquica permanente que é a resposta às pequenas solicitações das pessoas Portanto são essas três vertentes que são a preocupação central na minha política autárquica até ao fim do mandato que faltam dois anos.

E.: Passando agora a um outro aspecto importante na nossa vila que é o turismo. Quais são as principais potencialidades turísticas de Arcozelo?

Dr. N.C.: Também no turismo é uma freguesia muito sui generis, como se costuma dizer, porque temos dois tipos de turismo, por um lado temos um turismo de veraneio. Como sabem, todas as praias de Arcozelo tiveram bandeira azul e, para além disso, duas delas, Miramar e Aguda, foram distinguidas a nível de acessibilidade, isto é, foram praias que permitiram que pessoas com deficiência tivessem a possibilidade da prática balnear com o apoio dos bombeiros. Paralelamente a isto também tivemos e temos equipamentos desportivos designadamente: campos de vólei de praia, andebol, futebol de praia... que motivam cada vez mais pessoas à prática de desporto; nós tivemos um conjunto de actividades junto da população para animar a praia da Aguda na época de Verão e, portanto isto aumentou exponencialmente o número de visitantes. Neste momento o grande calcanhar de Aquiles é a reabilitação do equipamento hoteleiro, porque de resto em termos de atractivos acho que já temos as condições todas, por exemplo a ELA atingiu recentemente um número de visitantes na ordem das dezenas de milhares, quer dizer que há ali, efectivamente, vida própria o que demonstra que o número de visitantes nesta zona tem evoluído significativamente.

    Por outro lado, nós temos um outro fenómeno a nível do turismo, que é o chamado turismo religioso. Como sabem a seguir a Fátima, Arcozelo é o local de peregrinação mais visitado de Portugal por força do culto a Dona Maria Adelaide ou StaMaria Adelaide como as pessoas a chamam.

 

E.: Com uma orla costeira tão interessante, que inclui a praia da Aguda, Miramar e Granja, como a pensa dinamizar e valorizar, para além das iniciativas já levadas a efeito nos anos anteriores e já referidas anteriormente? Nós estávamos a pensar por exemplo, como é possível não haver um posto turístico para estruturar o apoio às praias visto que, no nosso ponto de vista, é um aspecto fundamental e indispensável. Há alguma coisa a ser feita nesse sentido?

Dr. N.C.: É uma questão bastante interessante porque uma das preocupações que eu tive em relação ao turismo foi precisamente essa. Eu nunca compreendi porque é que não se apostava mais na divulgação turística desta zona, isto é, a existência de um posto de turismo... É uma das coisas que eu acho que é uma lacuna para o turismo, e estou de acordo convosco acho que devia haver um posto de turismo que prestasse informações e pudesse ajudar as pessoas que nos visitam e não tenho a mínima dúvida quanto a isso.

E.: Com certeza sabe que a subida das águas do mar é um fenómeno irreversível e que a construção próxima do mesmo é um investimento de curta duração. Não acha melhor a Junta repensar devidamente em todas as intervenções a fazer na orla costeira?

Dr. N.C.: Nós, neste momento, em termos de intervenção na orla costeira não podemos fazer grandes planos nessa área. Como sabem, nós aqui em Arcozelo estamos abrangidos pelo POOC (Plano de Ordenamento da Orla Costeira) e esse plano de ordenamento é extraordinariamente restritivo na zona da Aguda que é a zona a que nos estamos a referenciar, onde existe o chamado núcleo antigo da Aguda onde praticamente pouco ou nada se pode construir. Por outro lado, as construções que estão a ser feitas nessa zona, são construções que não estão em perigo, pois com o quebra-mar que foi feito deixou de haver esse problema. Eu penso que aqui em Arcozelo não há um perigo eminente, é óbvio que no futuro é preocupante e é, por isso, que é importante alertar para essas questões todas. Como sabem, o quebra-mar fez-nos uma alteração da morfologia da zona da Aguda onde o areal aumentou exponencialmente. Agora existe uma outra realidade que o quebra-mar criou e nós temos de a resolver, apesar do INAG (Instituto da Água) não ter feito nada ainda, que é o assoreamento da zona onde os pescadores têm os barcos.

    Se existir alguma construção nunca será uma construção pura, será, por exemplo, um alargamento, …por exemplo, um equipamento de mergulho agregado à ELA.

E.: Que características teria esse equipamento?

Dr. N.C.: Era uma espécie de tanque no qual se dedicariam ao estudo e à prática de mergulho desportivo, falou-se também num SPA e, também num projecto que foi visto na Galiza. Voltando ao assunto anterior, por parte da Junta não há a hipótese de construirmos em nenhuma daquelas zonas porque são zonas protegidas, a zona dunar está quase toda protegida, os próprios bares estão protegidos...Não há a mínima hipótese de a Junta construir lá nada. Todas essas zonas são protegidas por entidades responsáveis e ainda quer pelo POOC, quer pelo PDM (Plano Director Municipal).

E.: Uma das lacunas que detectámos na freguesia quando procurámos informações foi a inexistência de um sítio na Internet. Quando é que a Junta disponibilizará aos arcozelenses e a todos os que procuram dados sobre a vila, o site oficial da autarquia na Internet?

Dr. N.C.: Até ao fim do ano. É assim, neste momento sabemos dessa lacuna e queremos aproveitar o facto de no fim deste ano a Junta comemorar 10 anos e termos 3 ou 4 iniciativas de efeito público ou mediático: uma delas é o site, outra é a revista com a actividade autárquica, outra é a inauguração do salão nobre que vai ser disponibilizado a todas as pessoas da freguesia para vários eventos.

Muitas vezes nós estabelecemos determinados timings e determinados custos para um determinado acontecimento, por exemplo, não sei se sabem nós fizemos um livro sobre a história da freguesia de Arcozelo e esse livro custou-nos 4000 contos, não contávamos gastar esse valor mas gastámos. Efectivamente até ao fim do ano vamos colmatar a falha da inexistência do sítio.

E.: Nós temos andado a falar com várias pessoas de vários sectores e como lhe disse se nós vamos pensar em algo que torne mais criativa a nossa vila não podemos ser ridículos ao ponto de estruturar um plano sem ver antes o que está na forja, ou seja, o que está para ser feito. Ora bem, há aqui realmente uns pontos que nos confundem um bocado. Há aqui alguns pontos que gostávamos que nos esclarecesse e com certeza que sabe. Há ainda aquele projecto de ligar a Canelas, construção da VL5, não há? Qual o trajecto?

Dr. N.C.: O trajecto é preocupante do ponto de vista ambiental, uma vez que vai nascer na IC1 e vai passar pela Ribeira do Espírito Santo, vai por trás do cemitério de Arcozelo e vai descer aqui...fazendo um túnel por esta rua e desce pelo Circuito de Manutenção.

E.: Soubemos que o campo de Golfe vai ser alargado, vai ser um Campo de golfe a nível internacional, esse projecto ainda continua?

Dr. N.C.: Isso está previsto em termos de plano urbanístico. Foi um plano dessa zona no sentido de o campo de golfe ser alargado para cima da linha do comboio e teria de ocupar os terrenos particulares.

E.:  A Junta não está a pensar certamente na construção de mais vias estruturantes, pois não? A esse nível é redundante porque há várias vias a chegar ao mesmo sítio e em algumas delas passam poucos carros.

Dr. N.C.: Neste momento os nossos principais eixos estão reabilitados. Agora há um conjunto de ruas adjacentes que têm de ser reabilitadas, eu penso que o essencial é isso. Vias estruturantes de raiz, realmente, já não faz sentido.

E.:  Imagine que estávamos no campo da utopia completa. O que poderia ser feito aqui, para tornar Arcozelo num pólo mais chamativo, no sentido de chamar mais pessoas para aqui.

Dr. N.C.: Eu sou um pouco modesto quanto a isso, mas o que eu gostava de fazer, e Arcozelo já está num patamar superior ao de outras freguesias, eu gostava de ter era a parte central da freguesia toda remodelada, aqui o largo Maria da Fonte recuperado, fazer a tal ligação da Ribeira do Espírito de Santo, fazer a reabilitação do Parque de Manutenção e transformá-lo numa espécie de Parque da Vila e a construção do Centro Social, portanto reprojectar toda esta zona do centro cívico de Arcozelo criando também espaços verdes...tudo isto é o mais importante. Depois é claro, se eu pudesse asfaltar todas as ruas que estão em mau estado principalmente, as ruas mais importantes da freguesia...

E.: E diga-nos uma coisa, como é que sensibiliza as pessoas para o ambiente e para a cultura aqui em Arcozelo?

Dr. N.C.: É extremamente difícil... há determinado tipo de cultura e até questões do ambiente que é extremamente difícil convencer as pessoas a mudarem a sua atitude. Eu penso também que, aqui em Arcozelo não existe o bairrismo que existe ainda em certas zonas, as pessoas não gostam de manter as suas tradições acesas. Quanto ao ambiente passa-se exactamente a mesma coisa, por exemplo na zona onde eu resido (Miramar) há pessoas que penduram o saco de lixo na árvore em frente da sua casa em vez de o colocarem dentro de uns caixotes de lixo. Aqui em Arcozelo há uma preocupação com o ambiente e isso vê-se através da colocação de ecopontos; dentro da Junta também existe essa preocupação em fazer com que os papéis sejam reciclados e, através da colocação dos avisos para não gastar água e luz. Enfim, quero chegar ao fim deste percurso com o certificado em termos de qualidade, o que também é um desafio.

publicado por Coincya às 16:43
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