Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Entrevista ao Dr. Jaime Prata, da ELA

 Entrevista ao Dr. Jaime Prata, da Estação Litoral da Aguda (ELA)

08/11/2007 - 10 horas


Entrevistador: Para iniciar, gostaríamos de tomar conhecimento do processo de criação da ELA e dos objectivos subjacentes ao seu aparecimento. O que é a ELA?

Dr. Jaime Prata: A ELA é um equipamento, sobretudo de educação ambiental, que tenta congregar três facetas: uma faceta lúdica, virada para o grande público, uma faceta mais académica, porque tem colaboração com a Universidade do Porto e uma faceta de educação ambiental que é virada para toda a sociedade, ou seja, para o público estudantil e não só.

 

    

 

Entrevista ao Dr. Jaime Prata na Estação Litoral da Aguda

 

E.: Quando e como foi criada?

Dr. J.P.: (…) abriu ao público a 1 de Julho de 1999 e se contarem doze anos para trás, foi mais ou menos quando nasceu a ideia. O mentor do projecto é o actual director (Dr. Mike Weber), que é alemão. Por razões circunstanciais, quando veio da Alemanha trabalhar aqui no Porto, primeiro fazendo investigação e depois no Instituto Abel Salazar, (…) veio morar para aqui (…) teve a ideia de fazer aqui qualquer coisa ligada ao mar e ligada à comunidade piscatória, (…) onde os pescadores pudessem mostrar um bocado a actividade deles aos alunos das cadeiras que ele leccionava.

 

E.: Nós notamos que a ELA não é muito conhecida nas redondezas e gostaríamos de saber que medidas estão a ser tomadas para aumentar a popularidade desta?

Dr. J.P.: Acho que é uma ideia errada, porque aquilo que nós constatamos é que os cerca de duzentos e cinquenta mil visitantes, que a ELA já teve, corresponde a mais do que a área metropolitana do Porto e corresponde a bastante mais do que toda a população estudantil dessa mesma área. (…) este é um projecto regional que, mesmo assim, tem visitantes de Lisboa, do Algarve, do Alentejo e inclusivamente estrangeiros.

 

E.: Quais as maiores dificuldades com que se deparam no funcionamento da Estação?

Dr. J.P.: Dinheiro… Nós somos só oito pessoas a trabalhar (…) Deveríamos ter mais pessoas de formação superior, porque nós estamos a falar de oito pessoas, e dessas oito pessoas, três têm formação superior os outros são funcionários. Nós recebemos um subsídio da câmara que é exactamente igual ao que era em 1999. (…) os projectos (…) Em que é que isso resulta? Isso resulta em equipamentos, os projectos da Ciência Viva, por exemplo, resultam em compra de equipamentos.

 

E.: Outro dos nossos objectivos é diagnosticar o que está a ser feito pela Ela ao nível da preservação ambiental. E para isso gostaríamos de saber quais são os principais enfoques da ELA a este nível.

Dr. J. P.: Ao nível da preservação ambiental… há que distinguir o que é a preservação ambiental do que é educação e do que é defesa. É natural que vocês não tenham esses conceitos muito bem definidos mas, por preservação ambiental, entende-se uma acção directa sobre as coisas, que não é o objectivo da ELA. Esse é o objectivo de instâncias institucionais como o INAG, esses podem fazer preservação ambiental, ou seja, pode haver uma determinada situação que precise de ser preservada e eles agem, porque têm influência directa na legislação e podem legislar no sentido de preservar. Por exemplo se o governo quiser proibir a pesca de uma determinada espécie, ou a destruição de um determinado ecossistema, pode fazê-lo… a ELA não pode. Portanto fazer preservação é um bocado complicado por causa da própria definição do que é preservar. Aquilo que nós podemos fazer é sensibilização e educação ambiental, que depois como objectivo e como retorno podem ter a preservação, não aquela preservação legal, mas uma preservação que vem por causa da mudança de atitudes das pessoas. Ao fim e ao cabo é isso que nós pretendemos fazer, é provocar mudança de atitudes nas pessoas. E que é que nós fazemos? Para além de termos vários programas educativos para todas as faixas etárias, desde a pré-primária até à universidade e depois para o grande público, temos também algumas campanhas, nomeadamente duas: uma campanha para a preservação da Sabellaria e outra sobre as tartarugas marinhas, (…)

E.: A construção do quebra-mar destacado prejudicou de alguma forma a fauna e a flora marinhas? E consequentemente o trabalho da ELA?

Dr. J.P.: Isso é uma questão muito complicada… querem mesmo saber? Mau era se as espécies fossem prejudicadas por uma coisa que geograficamente tem uma expressão muito pequena. Agora, uma população de uma espécie, que vivia exactamente ali, foi prejudicada? Claro que foi, ficou soterrada. Mas qual é a dimensão do problema se falarmos em relação à costa nacional? É uma dimensão muito pequena, ou quase inexistente, até porque nós temos sempre que pensar em que escala é que estamos a falar e o que é que consideramos um problema ou não. É muito mais importante ver a “floresta” e não ver a “árvore” e aqui é assim, numa determinada área houve valores naturais que foram destruídos, obviamente, todos os animais que viviam nas rochas, em toda esta zona que está coberta de areia, ficaram todos soterrados, morreram todos. Agora nós temos é que pensar: É importante em termos nacionais? É importante em termos regionais? É uma perda muito grave para as espécies, porque até são espécies raras? Ou até são espécies que vivem do Algarve até ao Norte e não é significativa a perda? Tem que se pensar nas coisas desta forma e não daquela forma sentimental. E, depois, também é preciso pensar nos objectivos, ou seja: Será que os objectivos justificaram os meios e justificaram o que se passou entretanto? E as questões económicas: Será que os objectivos justificaram o dinheiro que se gastou? São outras questões, que são muito complicadas. Portanto, não se pode dizer assim de ânimo leve se foi bom ou mau, até porque depois cada grupo de pessoas tem a sua opinião, por exemplo, os pescadores têm uma opinião, as pessoas da Aguda têm outra, as pessoas da Granja, outra, uma pessoa que viva em Viseu tem outra opinião, porque também pagou o quebra-mar com os impostos e não lhe interessa absolutamente nada. Essas são todas questões que deviam ser ponderadas por quem tem a responsabilidade de tomar as decisões, que é o poder político.

 

E.: Em relação ao futuro da ELA quais são os principais projectos que tem em mente?

Dr. J.P.: É assim, não se pode ter projectos sem dinheiro. (…) era bom que se conseguisse manter aquilo que se faz, hoje em dia, para o futuro. (…) Aqui em Portugal, um país relativamente pequeno, já temos um Oceanário, um Fluviário, a Estação litoral da Aguda, o Aquamuseu do rio Minho, o Aquário Vasco da Gama, o Zoomarine do Algarve, etc. (…) é evidente que se devia crescer no espaço para se poder fazer as coisas um bocado melhores. Por exemplo, o museu precisava do dobro do espaço porque nós temos a cave cheia de peças do museu, temos a sala de aulas cheia de colecções de coisas que nos foram oferecidas e não temos sítio onde as pôr. Temos uma sala de aulas que já começa a ser difícil de gerir porque tem actividades a mais. Precisávamos, por exemplo, de um auditório onde se pudessem fazer seminários (…) Isto só se conseguia com um outro edifício, ou um acréscimo a este edifício (…) também já se pensou num outro projecto que era fazer centro de reabilitação de animais, sobretudo, marinhos, porque estão sempre, aqui, a entregar gaivotas feridas, gansos patolas, etc. Quando foi aquela questão do Prestige recebemos aqui aves, tartarugas também cada vez aparecem mais.

 

E.: E em que aspecto é que a criação de uma escola de mergulho era importante?

Dr. J.P.: Também existe essa ideia de fazer um tanque de mergulho grande que servisse dois objectivos, um objectivo de mergulho lúdico, em que as escolas de mergulho podiam fazer cursos num ambiente mais natural do que numa piscina, (…) e isto acabava por ser uma fonte de receita para a instituição.

 

E.: Sem mais nada a perguntar, resta-nos agradecer imenso a sua colaboração. 

publicado por Coincya às 15:02
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