Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

A Coincya johnstonii já tem flor!

    Tendo em vista a obtenção de alguns esclarecimentos sobre a espécie que dá o nome ao nosso Ecoclube (Coincya johnstonii), convidámos o Doutor Rubim Almeida, do Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto – e que colabora connosco no projecto “Ciência na Escola” da Fundação Ilídio Pinho – a acompanhar-nos numa saída de campo à Praia da Memória, em Matosinhos, no dia 16 de Abril de 2008.

Doutor Rubim Almeida da Silva, professor auxiliar do Departamento de Botânica da FCUP

    Escolhemos esta altura, já que é possível identificar melhor esta planta pela flor amarela que apresenta nesta época (Abril a Junho). A opção por este local prende-se com o facto de nas dunas desta praia existir um efectivo populacional considerável desta espécie. Durante esta saída, o Professor Rubim teceu algumas considerações sobre a Coincya johnstonii, das quais transcrevemos:

    “Não se sabe se a planta Coincya johnstonii é ou não é, de facto, uma espécie e não outra coisa qualquer. Se vocês forem ver os trabalhos publicados nos últimos anos, a planta que se chamava Coincya johnstonii mudou de nome, hoje chama-se Coincya monensis, subespécie cheiranthos, entre outras coisas. Há ainda quem a chame de Rhynchosinapis. O que importa reter sobre isto é o seguinte: esta planta tem um conjunto de características que as outras brassicas, as outras coincyas, as outras rhynchosinapis não têm. E o que nós temos constatado é que as descrições que os autores vão fazendo da planta não encaixam nesta ou a planta não encaixa na descrição. A Coincya jonhstonii tem umas folhas ásperas, duras e grossas e isto deve-se ao facto de ser uma planta carnosa. A totalidade das coincyas conhecidas não têm esta característica e, para além disso, a planta que estamos a estudar está assente no solo e tem as folhas prostradas, aliás como qualquer planta que aqui vêem. A Coincya jonhstonii cresce rente ao solo, por causa do vento, pois uma planta que está elevada tem mais tendência a partir. Por outro lado, estas folhas prostradas contribuem para o facto de a areia sofrer menos a influência do vento e, na área onde elas estão, a areia fica mais coesa e, assim, as suas raízes podem crescer melhor. Ora bem, nós olhamos para as coincyas que estão fora do litoral e, nenhuma tem um aspecto semelhante a este, embora tenham todas folhas basais, depois têm um caule com folhas caulinares, a que chamamos radiculares e estas não têm nada disto. Para além disso, há outros aspectos que já verificámos que são diferentes: as plantas que estamos a estudar têm um fruto ligeiramente diferente e têm um número cromossómico que é tetraplóide, portanto é o dobro do nº de cromossomas que normalmente as outras têm. Há um conjunto de características muito grande que faz com que esta planta, no nosso entender, seja diferente das outras que há por aí e nós queremos mostrar que é uma espécie que nada tem a ver com as outras, sendo portanto endémica.”

 

publicado por Coincya às 15:37
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